Quarta-feira, 4 de Junho de 2008
Até onde irá a asfixia?

 

Terminou ontem a "campanha" de boicote por três dias à GALP, REPSOL e BP lançada na blogosfera. Se resultou, tenho sérias dúvidas, acreditando até que o "puxão de orelhas" pouco ou nada abalou estas companhias.

Mas foi uma acção concertada com fim meritório e, só por isso, terá valido a pena!

EU NÃO FUI!

Aliás, nestes últimos meses, poucos foram os blogues que não fizeram eco e se insurgiram contra o constante aumento do preço dos combustíveis. Constante e, quanto a mim, ainda não verdadeiramente explicado.

Certamente que não será por falta de debates, mesas-redondas, análises, analistas, políticos (governantes ou não), empresários do sector (ou não), economistas, estatísticas, mapas e gráficos... Todos (ou quase todos), aceitando como "mal necessário" esta espiral ascendente no preço do crude que, lá nos garantem de novo, não deixará de subir nos tempos mais próximos.

Ou seja, queiramos ou não:

Como não sou economista, recuso tecer comentários sobre se é ou não possível baixar o IVA e/ou o ISPP sobre os combustíveis. Mas, mesmo nesta discussão, as opiniões divergem. Aliás, economistas e governo "provaram" a quem os quis escutar, que a UE nem sequer permite a baixa do ISPP... Para hoje ouvir um comentarista/economista dizer (a propósito das declarações de Manuel de Pinho) que o petróleo chega a Portugal ao mesmo preço da Espanha (com quem nos podemos comparar nesta Europa dos "cidadãos"); o que permite preços mais baixos é a menor carga de impostos, designadamente o ISPP. Afinal, é ou não possível um país da UE baixar o ISPP? Continuamos sem saber a verdade verdadeira!

E ficámos igualmente a saber aquilo de que já desconfiávamos: o Relatório da Autoridade da Concorrência conclui que "não há cartelização"...

Mas alguém, em Portugal, acreditava que "a montanha não ia parir um rato"?

Agora - e só agora - o governo promete um sem-número de medidas para minimizar o aumento de preços e a falta de transparência da GALP, mas lá vai dizendo que "Depois de conhecidas as conclusões da Autoridade da Concorrência, o Governo que tutela o regulador, está agora muito mais tranquilo". O governo talvez esteja... os portugueses é que não!

Porquê? Por coisas como esta: "O Governo criou uma Lei que prevê a separação da actividade de produção e distribuição no sector dos combustíveis, mas essa Lei nunca foi regulamentada. Manuel Pinho só não responde porquê".

A propósito de confusão, quem ouviu o programa "Prós e Contras", ficou a perceber o mesmo... Todos tinham razão! Mas, para mim, quem teve a razão do seu lado foi o representante dos pescadores (Piló) em greve. E eu, mesmo sendo contra as greves (em princípio), acabo por dar-lhes razão: a eles (pequenos armadores e pescadores) e aos agricultores.

Não apenas pela arrogância do ministro titular da Pasta de Agricultura e Pescas, mas sobretudo por aquilo que disse este profissional das pescas e que já foi repetido pelos agricultores (conforme eu próprio aqui referi há algum tempo): porque é que na Lota (obrigatória) um quilo de carapau é pago a 40 cêntimos e o consumidor do mesmo carapau o paga a 4, 5, seis euros ou mais?

Alguém anda a precisar de voltar à "escola primária"...! Ai anda, anda!

Até porque a relação percentual para outros peixes é a mesma: se custa na Lota 60 ou 70 cêntimos o quilo, os consumidores pagam-no a 8, 9 e 10 euros ou mais!

Assim se passa, também, na agricultura.  É abissal, a diferença entre o que é pago ao agricultor e o preço que é pago pelo consumidor final!

O governo PS, orgulha-se de ter inaugurado o maior parque eólico da Europa (ou do Mundo), mas durante quantos anos dificultou burocraticamente a instalação de painéis solares em residências e fábricas?

 

   (clicar, para ampliar)

 

Não será essa uma das soluções para OBRIGAR as OPEP's e quejandos a prescindir dos fabulosos lucros? Até porque também há quem defenda que o petróleo não desaparecerá durante muitas e muitas décadas.

Mas existem outras soluções:

como este trimaran, que passou pela Horta (Açores) quase despercabido...

   (clicar, para ampliar)

mais pormenores em: http://www.earthrace.com/ ou http://www.earthrace.net

 

Ou ainda esta, divulgada pela TVI, mas esquecida desde então:

 

A terminar, reproduzo parte dum texto igualmente a circular na Net, devidamente identificado.

APROVEITANDO A ESPECULAÇÃO, A GALP COBROU PREÇOS EXCESSIVOS E OBTEVE 69 MILHÕES DE EUROS DE LUCROS EXTRAORDINÁRIOS EM 3 MESES, O TRIPLO DE 2007

A GALP acabou de apresentar publicamente as contas referentes ao 1º Trimestre de 2008. E por elas ficamos a saber que esta petrolífera obteve, só no 1º Trimestre de 2008, 175 milhões de euros de lucros líquidos, ou seja, mais 22,4% do que em idêntico período de 2007. E isto quando são exigidos tantos sacrifícios aos portugueses. Mas ainda mais grave, é que 69 milhões de euros desses lucros, que é o triplo do valor registado em 2007 (+ 228,6%), que foi de 21 milhões de euros, resultaram da especulação do preço do petróleo no mercado internacional, que a GALP e as outras petrolíferas se aproveitam para cobrarem aos portugueses preços de venda nos combustíveis excessivos e escandalosos. E isso resulta de um estranho sistema de cálculo dos preços de venda dos combustíveis aos portugueses, que não se baseia nos custos efectivos suportados pela empresa, mas que tira partido directo da especulação do petróleo no mercado internacional, que é urgente alterar pois, caso contrário, como a especulação vai continuar os portugueses serão obrigados a alimentar os lucros das petrolíferas resultantes dessa especulação.

 

Esse sistema de cálculo dos preços de venda dos combustíveis, diferente do adoptado pela generalidade das empresas, é utilizado pelas petrolíferas, perante a passividade, para não dizer mesmo a conivência, do governo e da Autoridade da Concorrência. Para calcular os preços de venda dos combustíveis, as petrolíferas recolhem os valores dos preços dos produtos refinados (gasolina, gasóleo, etc.) no mercado de Roterdão em cada semana, depois calculam a média em relação a cada produto, e é o valor assim obtido para cada um dos produtos que é o preço, sem impostos, a que vendem os combustíveis em Portugal. É evidente que esse preço de Roterdão, que não é determinado pelos custos suportados pelas petrolíferas portuguesas, incorpora a especulação que se verifica todos os dias no mercado internacional do petróleo, determinada pela entrada maciça dos fundos de investimento nesse mercado, com o objectivo de, controlando a oferta, como estão a fazer, imporem preços especulativos e, consequentemente, embolsarem gigantes lucros (o que está a suceder). Portanto, as petrolíferas em Portugal aproveitam-se da especulação no mercado internacional do petróleo para cobrar pelos combustíveis preços aos portugueses muito superiores aos custos que têm de suportar, utilizando um esquema privilegiado de cálculo dos preços. É urgente que o governo e a Autoridade da Concorrência ponham cobro a este lucro especulativo das petrolíferas que resulta do aproveitamento que elas estão a fazer da especulação que se verifica nos mercados internacionais alterando o sistema de cálculo dos preços de venda dos combustíveis excluindo a especulação. Os preços de Roterdão devem funcionar apenas como limite máximo, para obrigar as petrolíferas a serem eficientes, em relação aos preços que as petrolíferas podem cobrar pela venda dos combustíveis em Portugal. No entanto, o cálculo dos preços deverá respeitar o que a generalidade das empresas são obrigadas fazer, ou seja, cobrir os seus custos efectivos e adicionar uma margem decente de lucro.

 

Em Maio de 2008, os preços dos combustíveis em Portugal, quer se inclua ou não impostos,(e ainda não considera  os últimos aumentos) eram superiores aos cobrados na maioria dos países da União Europeia. Assim, o preço sem impostos do gasóleo em Portugal era superior em 2% ao preço médio do gasóleo na União Europeia, e o da gasolina, também sem impostos, era em Portugal superior ao preço médio da União Europeia em +2,4%. Considerando preços com impostos, o preço do gasóleo em Portugal era inferior ao preço médio da U.E. em -0,1%, mas o da gasolina era já superior ao preço médio da União Europeia em + 5,2%. Se a análise for feita por países, conclui-se que na Áustria, na Irlanda , na França, na Suécia, na Alemanha, na Dinamarca, na Finlândia e na Inglaterra, o preço do gasóleo sem impostos era inferior ao preço cobrado pelas petrolíferas em Portugal. Na Áustria, na Irlanda, na França, na Suécia, na Alemanha, na Dinamarca, na Finlândia, e na Inglaterra, em todos estes países, o preço da gasolina sem impostos era também inferior ao cobrado pelas petrolíferas em Portugal. É um autêntico escândalo, pois com remunerações, por ex.,  as petrolíferas em Portugal têm custos  inferiores aos suportados pelas empresas desses países ( menos de  metade).

A GALP foi privatizada pelos governos do PSD e do PS. Em Dez.2003 foram liberalizados os preços dos combustíveis em Portugal pelo governo PSD/CDS. A razões apresentadas pelos então governos é que isso iria determinar o aumento da concorrência com, a consequente, descida dos preços. No entanto, o que sucedeu foi precisamente o contrário. Entre 2.1.2004 e 22.5.2008  o preço da gasolina 95 aumentou 57,3%; o do gasóleo rodoviário 102,7%; e o do gasóleo de aquecimento mais de 138,1%. Durante o mesmo período os rendimentos da esmagadora maioria dos portugueses aumentaram  menos de 15%. Isto tem-se  verificado perante a passividade, para não dizer mesmo a conivência do governo e da Autoridade da Concorrência. Ambos preparam-se agora para branquear o comportamento das petrolíferas, pois é de esperar que  pretendam fazer passar como “natural” a actuação destas empresas, dizendo que elas adoptam “o sistema de conformação de preços adoptado a nível internacional”, como já veio dizer o presidente da GALP, que exige a baixa dos impostos, para assim poder manter os seus elevados lucros.

A GALP acabou de apresentar publicamente as contas referentes ao 1º Trimestre de 2008. E numa altura em que são exigidos aos portugueses tanto sacrifícios, não só aos que têm de adquirir combustíveis mas a todos que sofrem também as consequências dos aumentos semanais dos preços dos combustíveis, os resultados obtidos pela GALP e, consequentemente, por todas as petrolíferas são impressionantes, para não dizer mesmo chocantes.
SÓ NO 1º TRIM. DE 2008, A GALP OBTEVE UM LUCRO EXTRAORDINÁRIO DE 69 MILHÕES DE EUROS DEVIDO À ESPECULAÇÃO DO PREÇO DO PETRÓLEO NO MERCADO INTERNACIONAL E OS LUCROS TOTAIS ATINGIRAM 175 MILHÕES DE EUROS

Eugénio Rosa, Economista,edr@mail.telepac.pt 

22.5.2008
 

 

Perante tudo isto... 



Publicado por rui.freitas às 03:35
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4 comentários:
De Isabel Magalhães a 8 de Junho de 2008 às 21:21
Rui;

Também não fui, a essas 3 ou qq outra. Tenho o carro com o depósito quase vazio e vou reduzir na condução, no entanto percebo que há pessoas com outras necessidades e lá terão que passar pela gasolineira...

bj

I.


De rui.freitas a 12 de Junho de 2008 às 03:08
Isabel, em primeiro lugar, as minhas desculpas por andar arredado do blog.
Eu também não fui nem costumo ir a essas três, exactamente por serem monopolistas e, portanto, mais caras.
Às vezes, é o que dá ter razão antes de tempo... e agora vê-se que o "socretino" mais uma vez nada fez nem preparou qualquer resposta/solução para nada! É habitual no "sr. sabe-tudo"!
Claro que há quem tenha mesmo de usar o automóvel e é por esses e com esses que devemos solidarizar-nos.


De Isabel Magalhães a 8 de Junho de 2008 às 21:34
Sobre o veículo movido a energia eléctrica, 100 kms por pouco mais de 1 euro, penso que terá recebido atempadamente um fwd que denuncia as grandes marcas de fabrico automóvel que mandaram destruir centenas de automóveis, movidos a electricidade, construídos e a circular .

I.


De rui.freitas a 12 de Junho de 2008 às 03:11
Recebi, pelo menos, dois desses PPS's e presumo que haverá outras experiências de sucesso pelo Mundo que foram "caladas", "abafadas", "compradas" ou até mesmo "abatidas" pelos que designo como "senhores do Mundo", pois se a "fonte" do petróleo deles "secasse", lá se iam as vergonhosas mordomias!


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