Segunda-feira, 6 de Junho de 2011
Peru elegeu novo Presidente

O dia 5 de Junho, marcou também a eleição do novo Presidente do Peru. Neste país sul-americano, a esquerda venceu a direita, mas há que entender o porquê.

À segunda volta, Ollanta Humala derrotou, por cinco pontos percentuais, Keiko Fujimori, a filha do presidente de má memória, Alberto Fujimori, preso por diversos crimes contra o Estado peruano.

Fujimori - que, depois de eleito presidente, "adquiriu" em 24 horas a nacionalidade peruana (com a agravante de ter feito constar da sua "certidão de nascimento" o Dia da Pátria peruana - 28 de Julho), é "persona non grata" para os peruanos, já que apesar de ter conseguido pôr fim à guerrilha mantida pelo grupo Sendero Luminoso, veio a saber-se mais tarde, ter feito um pacto com os guerrilheiros (juntamente com Vladimiro Lenin Montesinos, igualmente preso no Peru), a troco de negócios menos claros de droga e tráfico de armas e lavagem de dinheiro, cumprindo actualmente uma pesada pena de prisão.

Vargas Llosa, Prémio Nobel da Literatura, declarou já que esta "es la victoria de la democracia en el Peru".

Quando estavam apurados 97.8% dos votos expressos, Ollanta Humala obtinha 51.4% enquanto Keiko Fujimori se quedava pelos 48.6%.

In Peru.com - 05.06.2011



Publicado por rui.freitas às 03:03
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7 comentários:
De Helder Sá a 6 de Junho de 2011 às 08:46
Caro Rui Freitas: permita-me que discorde da sua análise sobre a era "Fujimori". Os resultados demonstram que o Perú está divido, a diferença entre vencedor e vencida é de menos de 3%, pois os resultados apresentados no blogue não se referiam á contagem total. Fujimori cometeu erros? Não vivi no Perú para sentir na pele os benefícios ou malefícios da governação "Fuji". O grande problema de Fujimori foi ter asfixiado as forças terroristas e narcoitraficantes do "Sendero Luminoso", tendo contra si a esquerda internacional. Portanto, meu caro Rui, pelos vistos pouco menos de metade do Perú ainda acredita em Fujimori.


De rui.freitas a 7 de Junho de 2011 às 03:16
Caro Helder, quando publiquei os resultados, Ollanta tinha mais 5% dos votos do que Keiko; hoje, contados mais de 90% dos votos, a diferença é, de facto, de cerca de 3%. Até aqui, tudo bem.
Como sou casado com uma cidadã peruana (e, em breve, com nacionalidade portuguesa), filha e irmão de militares, conheço qual foi o "percurso" de Alberto Fujimori, preso por - entre outras coisas - por violação dos direitos humanos do seu próprio povo, juntamente com Montesinos (seu braço-direito e dirigente dos serviços secretos). Além disso, e pela mesma razão familiar, acompanho por vezes os noticiários das televisões peruanas e vi diversas reportagens acerca do "consulado" de Fujimori, que se "ausentou" do país em gozo de férias (com malas e mais malas cheias de dólares) e voltou a residir no Japão. "Esqueceu-se" foi que não devia voltar a nenhum país sul-americano e acabou detido e extraditado para o Peru.
Discordo em absoluto daquilo que considera "o grande problema de Fujimori", pois ao asfixiar a guerrilha e o tráfico de droga, fê-lo em benefício próprio; todos os peruanos o sabem. Ele e Montesinos passaram, isso sim, a controlar o dito tráfico, daí os muitos milhões que arrecadaram.
Naturalmente que os peruanos se encontram ainda divididos, pois a imagem de Humala foi-lhes "vendida" como sendo um perigoso comunista, quando ele próprio, enquanto militar, também lutou na selva contra o Sendero Luminoso.
Recorda-se do assalto policial/militar à Embaixada do Japão em Lima, após ter sido tomada pelo Sendero que fez inúmeros reféns? Claro que os guerrilheiros tomaram a embaixada, mas a história real foi algo diferente da contada nas televisões, onde Fujimori apareceu triunfalmente, aniquilados que foram todos os assaltentes...
Mas enfim... o "post" foi por mim colocado, apenas pela curiosidade da eleição ser no mesmo dia do que em Portugal e, repito, porque a minha mulher é peruana. Só por isso!


De rui.freitas a 7 de Junho de 2011 às 03:17
Errata: Onde se lê, "filha e irmão de militares", deve ler-se, obviamente, "filha e irmã"...


De carlos a 9 de Junho de 2011 às 21:57
O Peru que foi às urnas neste domingo para rejeitar a continuidade da política neoliberal personificada em Keiko Fujimori registou a maior taxa de crescimento da América Latina no ano passado: 9%. A média de expansão do seu PIB tem sido elevada, da ordem de 7%. Em 2010, sua economia atraiu mais investimentos estrangeiros do que a Argentina.
A explicação para o paradoxo, responsável pela vitória de Ollanta Humala, segundo as pesquisas de boca de urna, é o modelo de crescimento adoptado nos últimos anos.
O Peru desde os anos 90 cresce sem políticas públicas para redistribuir a riqueza em benefício da sociedade, sobretudo de sua vasta maioria pobre constituída de indígenas, que formam 45% da população (brancos são 15%). Foram deles os votos decisivos que garantiram a virada da candidatura de centro-esquerda. Basicamente exportadora de minérios, a economia peruana beneficiou-se fartamente da valorização dos preços das commodities nos últimos anos. A opção política, porém, foi por um modelo de crescimento de recorte neoliberal feito de desregulação máxima para os mercados e direitos sociais mínimos para a população.
A riqueza gerada nessa engrenagem não circula na sociedade, concentrando-se numa órbita restrita de beneficiados que gostariam de eleger Keiko Fujimori para afastar o risco de mudanças. A ausência de carga fiscal sancionou e acentuou as polarizações decorrentes dessa dinâmica A receita do Estado peruano é de 15% do PIB, inferior até mesmo à média latino americana e caribenha que já é acanhada, oscilando em torno de 18% do PIB, contra 39,8% da União Europeia, onde a rede de contrapesos sociais está consolidada. O governo Alan García poupou as mineradoras peruanas de uma taxação correspondente aos lucros fabulosos acumulados no actual ciclo de alta das matérias-primas.
O mercado naturalmente cuidou de seus próprios interesses e o Estado não reuniu fundos para investir em educação, saúde, habitação e segurança alimentar. No crepúsculo do ciclo neoliberal a renda per capita no Peru é de US$ 5.196, bem inferior a de outros países da região, como Uruguai, Chile, Brasil e México. A realidade, no entanto, é ainda pior que isso. Com 2/3 da mão de obra na informalidade, a sociedade peruana não dispõe de uma estrutura de direitos trabalhistas; a população rural, formada sobretudo pelos indígenas, vegeta; uma professora ganha cerca de R$ 200,00 por mês. É esse modelo de crescimento que ao gerar riqueza amplifica a desigualdade e polariza toda estrutura social que foi rejeitado agora nas urnas.


De rui.freitas a 10 de Junho de 2011 às 02:32
Caro Carlos, como já antes referi, a única intenção deste "post" deve-se ao facto de ser casado com uma cidadã peruana e fi-lo em homenagem aos amigos e familiares que tenho no Peru.
Uma coisa é certa - e você admite-o -, a taxa de crescimento bateu valores recorde de 9%.
É o país ideal? Ainda não, mas seguindo esta lógica, não faltará muito para ser um deles...
Todos beneficiam desse crescimento? Também não, mas persiste a esperança de que sim..
Pode ser até "terceiro-mundista", mas "alcalde" que seja suspeito de corrupção, "leva para contar"... e não há culpados, pois que é toda uma cidade, vila ou aldeia que se levanta em nome da justiça!
Os peruanos desconhecem o Fado e, por isso, mesmo sofrendo as agruras das governações, as dificuldades da vida, os entraves que se lhes colocam, são um povo alegre, em que prevalecem a música, a comida (possível), a partilha do pouco que alguns têm e a alegria de viver!
Não será isso que nos falta?


De carlos a 10 de Junho de 2011 às 21:47
Caro Rui,
Tudo de bom para o Peru.
Quiz apenas fazer notar que não basta criar riqueza. É preciso conhecer como se distribui. Eo modelo neoliberal que se impõs e tornou dominante nas 3 ultimas décadas gera pobreza e maiores desigualdades apesar de crescimentos acentuados. É uma lição que hoje já podemos constatar. Sou social democrata, pelo capitalismo produtivo, keynesiano enão pelo capitalismo financeiro,especulativo, pelo neoliberalismo que tem levado as populações à estagnação e retrocesso social.


De rui.freitas a 11 de Junho de 2011 às 02:31
Sem dúvida que a sua leitura está correcta; Alan Garcia e, antes dele, Alexandro Toledo, não estão mesmo nada isentos de culpa nessa matéria, e ainda hoje existe um enorme fosso entre os muito ricos e os muito pobres.
Conheci alguns bairros perto de Lima onde as condições de vida são degradantes, quase paredes-meias com luxuosos condomínios fechados e fortemente guardados.


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