Quarta-feira, 4 de Julho de 2007
Privilegiado? Eu?

Navegando pelo ciber-espaço, deparei-me com este artigo de opinião da Jornalista Helena Garrido, publicado no "Diário Económico" e que, com a devida vénia, quero partilhar convosco.

Era irresistível...

 

"Os “privilegiados”
Um dia destes alertaram-me para o discurso do “privilégio”, a marca deste Governo praticamente desde que tomou posse.

Os professores são privilegiados, os médicos também, os juízes…igualmente, os funcionários públicos em geral têm “imensos privilégios” - desde o pior ao melhor remunerado. E “privilegiados” são ainda  os pensionistas, quem está doente e tem cuidados de saúde sem pagar, quem não tem emprego e recebe subsídio, quem quer ter uma escola perto de casa e também os que não querem ver os centros de saúde que estão abertos toda a noite encerrados sem que nada se lhe dê em troca…

Afinal, parece que somos um país de… “privilegiados”. Quem não tem afinal “privilégios”? O “povo” respondeu-me uma outra pessoa. Mas qual povo? O povo não seremos nós? Os “privilégios” de facto querem dizer classe média.

Na análise de quem me reduziu o discurso dos privilégios ao absurdo, este Governo está a usar magistralmente uma das características que se diz terem os portugueses: a inveja. Há anos alguém me dizia, noutro contexto, que sofríamos do sindroma da sebe, tínhamos de cortar os ramos que saíam fora do alinhamento.

Mas como se concilia essa exploração da “inveja” com a popularidade de Joe Berardo? Jardim Gonçalves, Belmiro de Azevedo e António Mega Ferreira criaram mais valor para o país que Joe Berardo. Mas é ele que parece fazer as nossas delícias, sem inveja. Marcelo Rebelo de Sousa afirma que tudo isso se explica com a admiração que temos pelo desenrascanço - que aliás já justificou estudos académicos. Talvez por isso o primeiro-ministro nada sofreu na sua popularidade por causa do caso da sua licenciatura.
Ter direitos ganhos pelo trabalho e pelos impostos pagos ao Estado parece ser visto, por aqui, como “privilégios injustificáveis”, ou não seria tão eficaz  o discurso do Governo. Ganhar dinheiro fazendo subir acções em bolsa ou conseguindo que o Estado pague a exposição de uma colecção que se fez são um direito à esperteza. Estas parecem ser as mensagens subjacentes que nos têm transmitido do espaço público.

Não estou com isto a dizer que algumas medidas adoptadas pelo Governo eram desnecessárias. Todos sabíamos, depois do ‘boom’ da segunda metade dos anos 90, que iríamos pagar a factura com uma redução no nosso nível de vida. Mas convém olhar atentamente para os ditos “privilégios” para que uns não sejam demasiado mais iguais que outros. O aperto que o Governo está a impor à classe média pode estar a ultrapassar os limites do suportável. Dos privilegiados aos miseráveis pode ir um passo.


hrgarrido@gmail.com

Helena Garrido, Jornalista"



Publicado por rui.freitas às 00:59
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