Quarta-feira, 15 de Novembro de 2006
"Partiste" há cinco longos anos!

000aye79

E, um ano depois, eu "escrevi-te" isto... "Apenas" isto, numa homenagem de Saudade que se mantém e perdura na actualidade e no tempo. Cinco longos anos passados!

Ana
O meu mais belo poema de Amor
 
Quem dera saber escrever-te o mais belo poema de Amor...
... e não sei!
Mil folhas em branco,
um milhão de palavras, não chegariam para o fazer!
 
Nem sei mesmo por onde ou como começar.
Ainda que me sobrem as palavras, não se me compõem as ideias,
nem me chega a imaginação,
porque queria escrever-te o meu mais belo poema de Amor!
 
Passado um ano sobre a tua “apressada” partida deste Mundo
(a tua única “maldade”), ficaram tão só
O vazio,
O silêncio,
A saudade
E as lágrimas.
 
Eu sei, apenas, que partiste, mas que estás comigo;
Ou que não estás... mas que não partiste...
Que sei eu...?
De ti, em mim, só sobraram coisas belas,
... Amor, carinho, lugares, instantes, cheiros e sabores.
 
Queria escrever-te o mais belo poema de Amor,
e à memória, afluem apenas milhões de momentos lindos,
felizes, das nossas vidas.
E não sei escrever-te tal poema.
 
Quem diria, Amor, que tivemos da vida quase tudo,
neste poema que começou a 10 de Janeiro de 1970?
O nosso primeiro poema, escrevêmo-lo apenas um mês depois,
selando-o com o primeiro grande beijo dos muitos milhões que trocámos
num namoro eterno e duradouro que findou abruptamente a 14 de Novembro de 2001.
 
Um dos nossos mais belos poemas de Amor, chamou-se Sara,
a nossa filhota; E vivêmo-lo por sete breves minutos!
Estava “escrito” que assim seria.
Faltava-lhe apenas esse tempo para cumprir
uma qualquer indecifrável missão neste mísero Planeta.
E partiu logo em seguida...
 
Perdoa-me, Amor, mas não resisto a uma rima,
que define bem este longo e inquebrantável poema:
Na Suíça (um dos teus sonhos cumpridos) subimos juntos à mais alta montanha,
e rebolámos, nus e alegres nos areais de Espanha (nosso País de eleição).
 
Soube-nos tão bem o primeiro “tubo” num “chiringuito” de La Rabita,
tanto como o puro sumo de laranja no Principado monegasco,
a fresquíssima truta nos píncaros de Gruière,
ou a estaladiça pizza na famosa San Remo.
 
Não havia, nem houve, fronteiras ou alfândegas,
para o nosso eterno poema de Amor!
Ficaram, no entanto, tantos países por visitar, tantos sonhos por concretizar.
Agora, que tudo se tornara mais fácil... partiste!
 
Tu sabias que o “teu tempo” estava a chegar ao fim;
Disseste-o de mil maneiras...
E eu não entendi.
Ultrapassaste um “estágio” que ainda não atingi!
 
Estavas cansada do Mundo, das lutas estéreis e fúteis.
A tua última batalha, como sempre, foi por mim.
Pela vitória em 2001, que preparaste, previste
e foi a maior de sempre em Paço de Arcos.
Decidiste, afinal, não assistir à comemoração, e partiste.
Já sabias, claro, o resultado final!
 
Hoje, sozinho nesta casa que, de repente, se tornou imensa,
choro a revolta de nunca te ter escrito
o mais belo poema de Amor.
(Será que não?).
Eu sei que não devo chorar-te; Que tu não querias que eu te chorasse.
Mas, perdoa, Amor, não o consigo evitar!
 
Por companhia, tenho o silêncio, as muitas noites de insónia.
Por amigas, os infindáveis maços de cigarros
e as inesgotáveis garrafas de whisky.
Quem diria, há um ano, que elas me esperavam em tantos bares e restaurantes?
 
Nas longas noites do silêncio, encontro tanta gente só,
esquecida, abandonada.
Se calhar, sempre lá estiveram...
Mas tínhamo-nos um ao outro, e eu não “via”, não “sabia ver”...
Mas (eles e elas) estão lá, homens e mulheres,
chorando disfarçadamente as suas mágoas, as suas perdas,
talvez iguais à minha. Quem sabe?
 
É por isso que recordo o António Variações:
“quero estar onde não estou”;
“quero ir onde não vou”;
“quero partir ao chegar”.
 
Espanha (o “nosso” país), é exemplo disso:
Se estou cá, quero lá estar;
Se lá estou, quero voltar...
Já não há cheiros, nem sabores, nem a alegria de outrora.
Agora, tudo é igual, monótono, sem “chama”.
Porque tu não estás...
 
Se me servisse de alento, diria que há tanta gente boa
que te chora e recorda quase tanto como eu.
Mas não chega!
A tua alegria de viver, incendiou tantos corações;
Mas, agora, estou só, irremediavelmente só!
 
Queria escrever-te o mais belo poema de Amor,
e ainda não consegui encontrar as palavras certas.
nem que procurasse na mais completa enciclopédia!
 
Perdoa, Amor, mas durante o dia consigo “esquecer-te” um pouco,
tal o grau de exigência da Autarquia que dirijo.
Sempre soubeste (e daí a tua aposta) que eu gosto mesmo daquilo que faço hoje:
Ouvir e servir as pessoas, sobretudo as que “não têm voz”.
As noites, os fins de semana de silêncio na nossa casa,
é que são complicados e dolorosos.
 
No epitáfio da tua pedra tumular,
mandei gravar sob o teu nome a frase:
“Um Amor do tamanho do Mundo”.
E foi verdade! E é verdade!
Só não sei escrever-te o mais belo poema de Amor...
 
Descobri, de repente, porquê:
É que tu foste - e serás sempre -
O meu mais belo poema de Amor
 
14/11/2002

Rui Freitas



Publicado por rui.freitas às 02:40
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