Terça-feira, 10 de Abril de 2007
Eng.º, sim? Eng.º, não?

Não, não sou "gago" e, como tal, não necessito desculpar erros de outros; E muito menos tentar "culpar" outros pelos meus "erros"!
Mas também não sou engenheiro, nem doutor, nem licenciado, nem bacharelado... sou um cidadão simples e comum, pagador de impostos e que - às vezes - quando me tratam por "dr." (sobretudo, quando era Presidente de Junta, ocorria com alguma frequência), rectifico de imediato, dizendo: "não tenho nada contra os drs. mas não sou dr.".
Acho que é assim que deve ser, embora conheça quem "adore" títulos que não tem...!
Esta arrastada polémica acerca do Primeiro-Ministro ser ou não ser engenheiro, ter ou não ter bacharelato, ser ou não ser licenciado, passaria imune ao comum dos cidadãos como eu, não fora o "tabú" com que o próprio - ou alguém por ele - pretendeu camuflar o assunto.

 

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Que me importa a mim, se o PM é eng.º ou pedreiro, se é um bom Primeiro-Ministro?
O grande e grave problema é que, agora, prova-se que não é nem uma coisa nem outra.
Que não era bom PM, já eu sabia...!

Assim, não é por acaso que me deparo com um bem pensado e elaborado "out-door" que diz: "2 anos de governo Sócrates - a meio caminho de coisa nenhuma".
Desculpem o desabafo mas, "porra"... é mesmo verdade! Vamos a meio de coisa nenhuma; ou seja, não sabemos para onde vamos, só sabemos que "não saímos da cepa torta"!

 

Há pouco mais de 20 dias (jornais e televisões têm disso feito eco...), descobrimos que... "o rei vai nú !".
Como antes disse, não me causaria qualquer confusão que o PM não fosse "formado" em engenharia ou noutra coisa qualquer. Desde que fosse competente!
O que começou a fazer confusão a toda a gente, foi o "mistério" que logo rodeou esta tão simples questão, "mistério" esse escamoteado pelo próprio, que logo "tirou a água do capote", despejou-a para o lado de Mariano Gago (e não só...), mas que "promete" (quem melhor do que ele?) para amanhã a explicação sobre o "tabú". Na televisão; não na Assembleia da República... como devia ser!

Lembro apenas que, há muito, muito mais do que os 20 dias referidos, já circulavam na Internet os mais diversos (e até díspares) rumores de que, afinal, o eng.º não era eng.º...
Que, sim, era eng.º...; que, não, era licenciado...; que, não, não era eng.º civil...; que, sim, era eng.º do Ambiente...; que, não, não acabara o curso...; que, sim, que o motorista até esperava que ele acabasse as aulas; que, não, pois era impossível um exame final ao domingo; que, sim, obtivera o "canudo" em Coimbra...; que, não, fora noutra universidade...; que, sim, até havia amigos que "juravam" ter acabado o curso com ele...; que, não, "esse" curso só surgira três anos depois...; que, sim, até constava do seu curriculo oficial desde 1993...; que, não, que a verdadeira versão constava do site do governo...; que, não, que o site já fora alterado três vezes por causa disso... (é verdade!); que, sim, o curso fora concluído na Universidade Independente...

De repente, "rebenta a bronca" na Independente!
Causa ou efeito? Será que alguma vez saberemos? Acho que não, como vai sendo hábito no meu pobre País!

 

Sócrates (eng.º ou não), que até agora, "como bom aluno e seguidor de Guterres", sempre conseguira passar incólume por entre "os pingos da chuva"... ficou "molhado"! E quem diz "molhado", diz "manchado"!

A 7 de Março de 2006 (há mais de um ano), Fernando Sobral 000kee0e publicava no "Jornal de Negócios online", a seguinte "Opinião", que reproduzo, com a devida vénia:

 

 

Terça, 07 Mar 2006

O neurónio tecnológico

 

 

"As tecnologias do eng sanitário ! José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, 1º ministro desta república, tem um bacharelato em Engenharia Civil pelo ISEC (Instituto Superior de Engenharia de Coimbra), informação que não é contestada. Porém, na sua biografia oficial é dito que Sócrates Pinto de Sousa é "Licenciado em Engenharia Civil". No perfil que foi publicado no Diário de Notícias, por Filipe Santos Costa, é dito que "... quando voltou à Covilhã, em 1981, Sócrates já tinha complementado o bacharelato com a licenciatura, em Lisboa". Mas a licenciatura que existia em Lisboa nessa altura (1979-81) era no Instituto Superior Técnico, onde Sócrates não consta como aluno.

 

Por isso, em 1981 Sócrates não estaria licenciado por Lisboa. Onde foi que se licenciou? Teria sido no ISEL (Instituto Superior de Engenharia de Lisboa) do Instituto Politécnico de Lisboa? É que aí a Licenciatura Bi-Etápica em Engenharia Civil só começou em 1998/99... No ISEC onde fez o bacharelato? Mas a licenciatura bietápica em Engenharia Civil no ISEC também só começou em 1998/99. Também não frequentou a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, nem o Instituto Superior Técnico, nem consta que tenha frequentado a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. Portanto, não seria licenciado em 1981. Na Ordem dos Engenheiros também não está inscrito. O bacharelato em Engenharia Civil do ISEC tinha quatro anos (8 semestres) - só passou a três anos na reestruturação de 1988 (Decreto-Lei nº389/88, de 25 de Outubro) empreendida por Roberto Carneiro. Onde fez Sócrates a dezena e meia de cadeiras (veja-se o plano do 5.º ano da licenciatura no ISEL) que precisava com o bacharelato do ISEC para obter a licenciatura? Os Cursos de Estudos Superiores Especializados (4 semestres) só começaram no ISEC em 1991 e no ISEL em 1988 (Direcção, Gestão e Execução de Obras - 4 semestres) e 1990 (Transportes e Vias de Comunicação - 4 semestres). Além disso, um CESE não é uma licenciatura. Por isso, esta hipótese não parece plausível. Não é.

Não consta que Sócrates tenha frequentado a licenciatura bi-etápica do ISEL ou do ISEC. Mas Sócrates afirma ainda que "concluíu depois uma pós-graduação em Engenharia Sanitária pela Escola Nacional de Saúde Pública" (ENSP). Todavia, o curso de Engenharia Sanitária é leccionado desde 1975 na Universidade Nova de Lisboa, pertencendo, desde a criação das faculdades da Nova, à sua Faculdade de Ciências e Tecnologia, primeiro sob a forma de curso de especialização e a partir de 1983 como mestrado. Exige a licenciatura como condição de admissão. Nunca pertenceu à Escola Nacional de Saúde Pública (que em Abril de 1994 foi integrada na Universidade Nova de Lisboa). Mas Sócrates não foi aluno desse curso de Engenharia Sanitária da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (que foi criado em 1975) - nem ele o diz, pois refere expressamente que a sua "pós-graduação" foi na ENSP. Então, que curso de Engenharia Sanitária fez? Chamar-se-ia mesmo "pós-graduação"? Ou seria um curso de curta duração na ENSP? E em que ano decorreu? Sócrates já seria licenciado quando frequentou essa "pós-graduação"? O que parece verdadeiro é que José Sócrates Pinto de Sousa terá obtido em 1996 uma licenciatura em Engenharia Civil pela Universidade Independente !!!!! Que equivalências lhe foram atribuídas e quantas cadeiras teve de frequentar e concluir ???

Se compararmos os planos dos dois cursos - o bacharelato do Politécnico de Coimbra e a licenciatura da Universidade Independente -, e as respectivas disciplinas, chegamos à conclusão de que um candidato com o bacharelato do ISEC precisa de fazer 10 cadeiras (existem algumas disciplinas do curso na Universidade Independente que não têm correspondência no curso de Coimbra) e mais uma de Projecto para se licenciar na Universidade Independente de Lisboa. Não deve ter sido fácil, tendo em conta que Sócrates teria concluído o

bacharelato em 1979. A Licenciatura em Engenharia Civil na Universidade Independente foi criada pela Portaria n.º 496/95 de 24 de Maio de 1995, embora o diploma tenha, retroactivamente, autorizado o funcionamento do curso desde o ano lectivo de 1994/95. Ora, o primeiro governo de António Guterres (o 13.º Governo Constitucional) toma posse em 28 de Outubro de 1995 e José Sócrates é ministro adjunto do primeiro ministro. Nessa desgastante função, José Sócrates parece ter encontrado tempo e concentração, na mesma altura em que prepara e participa na campanha eleitoral durante o ano de 1995 e, já no Governo, adjuva o primeiro-ministro e coordena as secretarias de Estado da Comunicação Social, Desporto e Juventude, para, quinze anos depois do seu bacharelato, realizar as 11 cadeiras que, em princípio, teve de efectuar para obter o título de licenciado em Engenharia Civil em 1996. Deve ter sido muito difícil, um esforço quase sobre-humano.

Não há motivo algum para que Sócrates tenha escondido do povo português a sua epopeia académica, a não ser por modéstia, o que, neste caso, não se justifica. É um motivo de grande orgulho próprio e um exemplo de sucesso para jovens e adultos. Enfim, não é de admirar a surpresa do engenheiro sanitário Pinto de Sousa perante a realidade técnica dos finlandeses."

Depois disto, muito mais se propagou pela "Blogosfera", "incendiando" depois jornais, rádios e televisões, a ponto de me ter rido a bom rir, quando há uma horita ou duas assisti a um debate na SIC Notícias entre directores ou representantes de jornais como o "Expresso", "Público" e "Rádio Renascença", apenas e só pelo papel de "his master voice" desempenhado na perfeição pelo sub-director do "DN"... Que pena!

 

Amanhã (parece...) se saberá "toda a verdade"!
Mas, agora, sou eu que, como cidadão, também tenho o direito de saber se o PM (em que não votei...) é ou não eng.º.
Isto, porque não estamos a falar do "Zé dos Anzóis" ou do "Toninho das Fisgas"; estamos a falar do Primeiro-Ministro de Portugal...
E já que tanto se escondeu, agora - pelo menos uma vez na vida - que diga a Verdade!



Publicado por rui.freitas às 23:52
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